Moradores de Veneza e da província de Veneto querem se separar da Itália. Entenda os motivos

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Moradores de Veneza e da província de Veneto querem se separar da Itália. Entenda os motivos

veneza--cidade_7322_1024x768Depois da separação da Criméia da Ucrânia e sua união com a Rússia, a nova região que quer se separar de seu país é nada mais nada menos que um dos maiores pontos turísticos da Itália e da Europa: Veneza.

Nesta semana 2,1 milhões de italianos votaram a favor da independência de Veneza e todas as cidades da província de Veneto, como Treviso, Vicenza e Verona. A votação foi online, entre os dias 16 e 21 de março. 89% votaram pelo sim da separação.

Apenas 257 mil votaram para manter as coisas como estão. A maioria que votou no sim, também quer que o provável novo país continue membro da zona do Euro, da União Europeia e da Otan. Mas o problema é que o referendo não tem poder constitucional, e Roma já considera esta consulta ilegal.

Mas mesmo assim, as autoridades locais vão preparar uma declaração formal de independência, que vai ser enviada ao governo, também lembrando que já foi avisado que vão reter os impostos locais e não vão mandar para a capital. Esta luta acontece desde os anos 70, quando um grupo separatista de nome Liga Veneta, começou as lutas pela independência.

Um dos organizadores da campanha de independência, Paolo Bernardini disse a um jornal britânico: “Apesar da história nunca se repetir, estamos vivenciando agora um forte retorno das pequenas nações. Países pequenos e prósperos, que interagem um com o outro no mundo globalizado. O mundo inteiro está se encaminhando para uma fragmentação. Uma fragmentação positiva”.

Motivos da separação

A vontade de separação é antiga. A cidade tem orgulho do seu passado de glórias e prosperidade, que terminou quando Napoleão invadiu a região em 1797. Depois a cidade ficou sob o domínio do Império austríaco e depois virou parte da recém-criada república italiana.

Além disso, a economia também conta: Veneza reclama de enviar 71 bilhões de euros em impostos para Roma e receber apenas 50 bilhões de volta em forma de investimentos e serviços. Se manter unida ao país em crise econômica e a região do sul é aceitar um prejuízo.

Segundo Nicola Gardin, coordenador da campanha, ao Yahoo: “Nós não queremos mais ser parte de um país que está contra a parede. Nada funciona mais. A Itália está decaindo com uma enorme dívida pública. Milhares de negócios fecharam, já até perdemos a conta de quantas pessoas cometeram suicídio na região de Veneto”, completou Gardin.

Desde 2007, 85 mil moradores de Veneto perderam seus empregos e oito mil negócios locais fecharam as portas.

Via Exame

 

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